Barragem de Tijuco Alto – Vamos discutir na nossa panela ou abrir para toda internet ver?

Desculpem quem caiu aqui no meu site procurando sobre a “Barragem de Tijuco Alto“. Vou tentar escrever um pouco sobre isso no final do texto. Este post tem como finalidade mostrar para as pessoas que é mais importante divulgar suas idéias em um lugar aberto como um blog ou um forum do que ficar conversando a respeito disso em um grupo fechado de discussão)

Hoje eu ví um email da Natasha com o seguinte comentário:

“Não tenho blog Jonny, mas ainda assim prefiro falar das minhas idéias, dúvidas etc etc etc pra pessoas que eu sei que existem e não são meros “avatares”.”

Natasha, eu discordo da sua visão. Só para explicar para quem não faz parte da lista [biologosUSP], a Natasha (ou alguém) começou uma discussão sobre o que está acontecendo a respeito da Barragem de Tijuco Alto. Junto a isso, eu comecei a falar da importância de se divulgar idéias em um Blog / fórum e não ficar guardando somente em um grupo fechado de discussão.

Você pode ter ótimas idéias e falar em um grupo fechado de 300 pessoas (sendo que a grande parte sequer participa da discussão), ou falar com um grupo que pode não ser maior, mas com certeza muito interessado (já que caiu no site procurando pelo assunto). Além do mais, você abre a discussão para a internet, ou seja, milhares de pessoas do mundo todo podem ler a respeito!

E não sei se você sabe, mas atrás de um avatar sempre tem alguma pessoa que o criou!

A idéia desse post é simplesmente mostrar que uma discussão aberta pode dar resultados mais interessantes que discutir isso dentro de um grupo fechado.

Ps: os grifos são meus.

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Bom, já que tem gente que vai cair aqui para discutir esse assunto, ou que não tem nem idéia do que se está passando, vou colocar parte do texto do site da Conlutas que eu achei que explica sobre o que estão discutindo na lista do [biologosUSP].

Localizado entre o sul do estado de São Paulo e norte do Paraná, declarado Patrimônio Natural da Humanidade em 1999, o Vale do Ribeira contém mais de 2,1 milhões de hectares de florestas – 21% dos remanescentes de Mata Atlântica de todo o País -, 150 mil hectares de restingas e 17 mil de manguezais. Toda essa riqueza ambiental subsiste porque nessa região ainda vivem diversas comunidades tradicionais (remanescentes de quilombos, caiçaras, índios e pequenos produtores rurais) e foram criadas várias Unidades de Conservação.

Uma das maiores ameaças a esse riquíssimo patrimônio socioambiental é o projeto de construção de barragens ao longo do rio Ribeira de Iguape. Estudo de inventário hidrelétrico aprovado pelo governo federal na primeira metade da década de noventa prevê a construção de quatro barragens (nomeadas Tijuco Alto, Funil, Itaoca e Batatal), com o objetivo de geração de energia e, supostamente, de contenção de cheias. No entanto, essas quatro barragens, se construídas, inundarão permanentemente uma área de aproximadamente 11 mil hectares, incluindo cavernas, Unidades de Conservação, cidades, terras de quilombos e de pequenos agricultores, além de alterar significativamente o regime hídrico do rio, o que traria prejuízos difíceis de mensurar.

As barragens estão projetadas para o Médio e Alto Ribeira, regiões com maior presença da agricultura familiar e comunidades quilombolas. Há, portanto, uma clara ameaça aos grupos menos favorecidos historicamente. As barragens ameaçam também as comunidades que dependem da pesca e do extrativismo marinho no Complexo Estuarino Lagunar de Cananéia-Iguape-Paranaguá, pois vários estudos já apresentados apontam para possíveis alterações na produtividade pesqueira dessa região com a construção das barragens.

Dentre todas as barragens projetadas, a que está em processo mais avançado de aprovação é a de Tijuco Alto. Planejada para o alto curso do Ribeira de Iguape, entre as cidades de Ribeira (SP) e Adrianópolis (PR), pretende gerar 150 MW de energia, a qual seria utilizada exclusivamente pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), empresa do Grupo Votorantim, que detém um complexo metalúrgico localizado a centenas de quilômetros da região, no município de Alumínio (SP), antigo município de Mairinque.

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